INTRODUÇÃO
É comum na atualidade discussões em famílias, bares, universidades, sobre as diferenças entre os países. Discute-se se é melhor viver nos EUA, Itália, Inglaterra, França, Alemanha, etc. A globalização econômica e a rede virtual (internet) facilitaram muito a troca de informações entre os países mais distantes e muito se vê na mídia televisiva ou escrita sobre os pontos positivos e negativos de um país ou de outro.
O brasileiro tem uma tendência a achar que “o que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil”. Neste texto eu pretendo discorrer sobre este polêmico assunto e tentar transmitir o meu ponto de vista baseado em grande experiência de vida. Vivi nestes países ou convivi com pessoas vindas destes países citados abaixo e dessa forma penso que o texto a seguir pode lhe dar mais subsídios para se fazer uma escolha de imigração ou até mesmo por simples enriquecimento pessoal com mais informação e opinião.
O Brasil moderno é muito jovem. Tivemos nos últimos cem anos quatro regimes político-administrativos. O primeiro foi uma república incipiente, seguida de duas ditaduras, até chegarmos na atual democracia com as eleições diretas de 1989. O Brasil e o mundo sofreram muita influência norte-americana no pós guerra, a partir de 1945, e muito do que se vê hoje é resultado de uma política externa americana que precisava influenciar o mundo para poder “vencer” a guerra fria contra a Rússia e o comunismo. É por isto que a classe média que está beirando hoje os 50-60 anos tende a acreditar que o modelo americano seja o mais correto. Os filhos desta geração, que hoje beiram os 20-30 anos tendem a acreditar no modelo que seus pais consideram como correto. Porém, fazendo análise construtiva do assunto, vê-se que nem todos os países seguem o mesmo modelo e por esta razão nota-se que outro modelos também estão corretos. Nos últimos 5 anos a América Latina também começou a perceber esta tendência e os governantes eleitos pelo povo passaram a ser de uma ideologia divergente daquela americana.
Você, leitor, que possivelmente pensa em imigrar, deve estar ciente do que está acontecendo no mundo e os diferentes sistemas político-administrativos que você poderá se inserir ao mudar de país.
OS ESTADOS UNIDOS
Os Estados Unidos é um país fundado em um princípio tido como o mais importante: “a liberdade”. Parte-se do princípio que como os indivídos são iguais, se ele tem liberdade, ele poderá conseguir tudo aquilo que almeja, ou seja, uma vida digna com emprego e saúde para toda a sua família. Talvez o erro desta teoria seja que as pessoas são iguais fisicamente, mas não socialmente. Uns nascem com mais, outros com menos. Os EUA promoveram desde sua fundação o sistema de economia chamado “neo-liberal”, onde o Estado é mínimo e a sociedade tem de pagar pelos serviços.
O que o imigrante brasileiro encontra ao chegar nos EUA?
Encontra um país segregante, onde comunidades de imigrantes estão marginalizadas em “guetos” modernos, que são bairros populares povoados por latino-americanos, chineses e africanos. A grande maioria destes imigrantes são ilegais e aceitam condições humilhantes de trabalho e de vida. O imigrante comum encontra um emprego simples como encarregado de limpeza, atendente de lanchonete, lavador de pratos e não tem perspectiva de promoção e de futuro.
A língua americana também ajuda a segregar os imigrantes pois possui uma gramática e pronúnica totalmente diferente da língua-nativa da maioria dos recém-chegados. Os americanos já notam em alguma palavras pronunciadas que se trata de um imigrante e o tratamente já é diferenciado.
A “América” tem cultura e história de “conquistas” com guerras. É um povo bélico que acredita que é possível exportar democracia com tanques e mísseis. Os americanos já em sua origem presenciaram uma guerra civil, se envolveram nas duas grandes guerras mundiais, disputaram a corrida armamentista com a Rússia, combateram por uma década no Vietnan, lutaram no Kwait, Afeganistão e Iraque. Ao contrário do Brasil, que tradicionalmente é um país que promove a paz.
O imigrante também nota, ao chegar nos EUA, que é um país carente de políticas sociais. A maioria das pessoas não sabe porém que o sistema americano já prevê isto. Os fundamentos do sistema americano prevê que com a liberdade individual e com o crescimento econômico, os pobres podem viver o “sonho americano” e melhorarem, sozinhos, sua condição de vida. É óbvio que o imigrante comum não consegue desfrutar deste sonho. Um exemplo desta falta de políticas sociais é o sistema de saúde americano, baseado nos planos de saúde e consultas particulares. Os pobres, quando precisam de um cuidado médico, devem sujeitar-se ao atendimento “gratuito” fornecido aos marginalizados.
A falta de políticas sociais promove a concentração de renda na mão daqueles que nascem em melhores condições financeiras e assim, conseguem seguir carreira universitária, e futuramente exercer uma profissão que lhe renda um melhor salário. Os pobres, como não conseguem pagar pelo ensino universitário, que é particular, permanecem na condição de pobres por gerações.
Apesar de exportar sua cultura, os EUA se isolam do mundo. É difícil conhecer um americano que fale duas línguas ou que tenha conhecido um outro país que não faça parte da Europa. É tamanho isolamento que pensa-se inclusive em se construir um muro na fronteira entre EUA e México.
Os imigrantes ilegais mexicanos são tidos, nos EUA, como colaboradores para o aumento da criminalidade, e isto prejudica a imagem que o imigrante brasileiro têm antes mesmo de se chegar em solo americano.
Os Estados Unidos, com seu capitalismo evidente e carência de políticas sociais promoveu a sociedade mais doente do mundo, onde um terço da população adulta é diabética e um terço das crianças são obesas. Este sistema também destruiu a família, pois os pais estão ausentes buscando por mais e mais dinheiro, e os filhos muitas vezes se perdem no caminho das drogas.
O imigrante brasileiro deve lembrar também que a cultura, alegria, futebol e música brasileiros não são apreciadas pelo americano comum, que muitas vezes não sabe nem onde se localiza o Brasil dentro do globo.
Para resumir, eu acredito que não existem ponto positivos quando se pensa em imigrar aos EUA, e você, que é descendente de italianos, deveria pensar em terras européias, ao invés de solo yankee.
Comparando países 2
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